Anda por aí o vídeo da miúda (14 anos, acho) que foi espancada por duas colegas na escola (alegadamente porque andou a dormir com este e aquele), enquanto um bando de bestas acéfalas (eu bem queria chamar-lhes cabrões, mas o pudor impede-me) filmava aquilo como se fosse o melhor espectáculo do mundo (é pró Facebook, mano, é pró Facebook).
Além de ficar assustada com os comportamentos sexuais de certos jovens (caramba, aos 14 anos eu ainda dava uso a alguns dos meus brinquedos de criança), tal facto não justifica isto. Até podia ter dormido com a escola inteira: nada dá o direito a duas galinhas histéricas de lhe baterem, darem pontapés na barriga (confesso que estes me doeram e nem sequer fui eu que levei) e coisas que tais. Diz-me uma colega que essas miúdas têm 18 anos. Legalmente são adultas, mas e mentalmente? Não sou psicóloga, mas dar-lhes-ia uns 12 anos em idade mentais (se é que a idade animal pode ser contabilizada da mesma forma que os humanos). O mesmo se aplica aos colegas, cineastas broncos de ocasião (lembra-me o da Carolina Michäelis, a gorda vai cair, ó peixona sai da frente).
Isto leva-me a duas considerações: mas que raio se anda a passar nas escolas deste país? Não podemos assumir que estas situações são generalizadas, mas a verdade é que miúdos histéricos e violentos já existem desde que o mundo é mundo. As redes sociais não. Não podemos dizer que não acontece só porque não aparece na televisão ou na internet.
Segunda consideração: a questão da educação. Por norma não sou apologista da violência, mas não sei o que faria se a minha filha fosse uma das agressoras/cineastas. Provavelmente faria-a provar um pouco do próprio veneno, por assim dizer. Em vez de se preocuparem tanto com futilidades, talvez acordassem um bocadinho para o mundo real. O mundo não acaba porque este ou aquele rapazito nos trocou por outra. O mundo não acaba porque uma rapariga dorme com tudo o que é pila na escola. O mundo não acaba se não puseres algo polémico na tua página do Facebook. O mundo acaba quando os teus pais ficam sem emprego. O mundo acaba quando falta comida na mesa (já nem falo do dinheiro para as vossas roupinhas da marca XPTO e os telemóveis). O mundo acaba quando não conseguires pagar o curso que escolheste (ah, espera, com essa mentalidade tenho dúvidas que chegues à faculdade). O mundo acaba quando alguém que te é próximo tem problemas de saúde e o Estado está-se a marimbar para as tuas despesas e necessidades. Necessidades REAIS, necessidades ESSENCIAIS.
E, para mim, o mundo acaba vertiginosamente quando penso que um dia a sociedade em que vivemos está entregue a pessoas como estas.
3 comentários:
Pois, Carla, eu prefiro nem comentar muito: agarrem-me!! Mas, para quem dá aulas a miúdos pequnitos, esta situação não é surpreendente, infelizmente.
A falta de formação dos miúdos (e refiro-me obviamente a formação elementar de valores e de saber-estar) é preocupante, mas é um problema que não se resolve com medidas dirigidas às crianças: resolve-se (com muito tempo e dinheiro investidos!) nos pais! Pois os culpados desta falta de valores e desta amoralidade que premeia a mediocridade e a violência e o comportamento desviante como populares e positivos na cultura mainstream são única e exclusivamente os pais que não conseguem ser capazes de proporcionar uma estruturação saudável da personalidade da criança, um crescimento feliz e sustentado; não conseguem criar adultos plenos. Pelas mais variadas razões, descuidam-se desta tarefa. E eu, que sempre me opus a tal coisa horrível, agora quase dou razão a um amigo meu: a parentalidade devia ser objecto de permissão!
(Eu bem tentei escrever pouco e muito mais havia por dizer...)
Concordo plenamente. Já que se gastam milhões em cursos de formação (Novas Oportunidades e quejandos) que não servem para nada, porque não uma escola para pais?
De facto. No Reino Unido, uma das medidas de punição para comportamentos desviantes (como os deste caso) passam muitas vezes por consultas de apoio à parentalidade - tem um nome mas não estou a lembrar-me. Isso sim é uma óptima ideia! Um casal tem problemas, vai a um terapeuta; uns pais não sabem educar os seus filhos, terapia!
Enviar um comentário